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 A Dança e o Brincar 

- Paula Matthews -

Danço desde os meus cinco. Dança para mim é profissão

Aprendi muitas ideias, conceitos e vivências sobre o brincar nas suas diferentes formas e contextos, abrangendo o brincar para todas as idades, todas as raças, envolvendo a inclusão social, sem preconceito, e a diversidade de espaços em que este “brincar” pode acontecer. Para me aperfeiçoar profissionalmente quero levar o brincar para minhas aulas de Dança.

Desta forma, posso agregar muito do conhecimento do brincar para minhas aulas de Dança e desde então, tenho tentado aprofundar meus conhecimentos teóricos no tema “O brincar e a Dança” e tem sido minha proposta de pesquisa para o meu Trabalho de Conclusão de Curso-TCC de Licenciatura, na faculdade de Dança também.

Uma das primeiras coisas que me chamaram atenção no curso, foi a de saber que brincar é um direito humano e é um direito da criança. E que a nossa constituição reconhece a importância do brincar na infância.

Desde 1990, o Brasil reconhece em sua constituição, o direito da criança ao descanso, lazer, brincar, às atividades recreativas e à plena participação na vida cultural e artística. No artigo 31, da constituição sobre a Convenção sobre os Direitos da Criança de 1990, disponível em http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/1990-1994/d99710.htm, destaca que os Estados promoverão o direito da criança de participar plenamente da vida cultural e artística e que encorajarão a criação com oportunidades adequadas, em condições de igualdade, para que participem da vida cultural, artística, recreativa e de lazer.

Sabemos que ainda hoje, há crianças que não tem acesso a atividades recreativas, nem ao lazer, ao brincar e nem na participação na vida cultural e artística. Pensando nisso, vejo a importância de aliar o Brincar com a Dança, principalmente, para o público infantil.

A Dança como linguagem artística, expressa por meio de movimentos, uma maneira de fazer o sujeito sentir-se, perceber-se, conhecer-se e manifestar-se, contribuindo para a ampliação das experiências pessoais e perspectiva de mundo. (ALMEIDA, 2016, p. 20)

Dessa forma, as aulas de Dança podem ter como prioridade, levar a conscientização corporal, ajudando a criança a reconhecer que tem um corpo e que pode se expressar-se com ele, ajudando-as a descobrirem as diversas possibilidades de movimento e se relacionando com o meio através de atividades lúdicas que as incentivem a criarem e a improvisarem Dança, à partir dos conteúdos abordados, incentivando a desenvolverem sua própria dança, e seus modos de ser e estar no mundo, se opondo a modelos de dança em que sugerem a repetição de passos criados por adultos, tornando corpos passivos, sem atitudes e, iniciativas, assim como Michel Foucault (1979) chamou de “corpos dóceis”.

A dança para a educação infantil necessita estimular a descoberta e não a padronização; a improvisação e não a repetição de movimentos previamente determinados. Uma dança que não aprisione o movimento, mas liberte a imaginação, a criatividade e a expressão. [...] E, por fim, que possibilite o brincar com o corpo, conhecer-se, conhecer o outro e o meio que o cerca. (ALMEIDA, 2016, p. 35).

[...] Sugerirmos danças que permitam às crianças brincarem, explorarem, improvisarem, enfim, criarem suas formas de ser e de estar no mundo a partir da orientação e do trabalho dialógico do professor. (MARQUES, 2009. Corpo e Dança na Educação Infantil. Disponível em: http://arteirinhos.blogspot.com/2009/09/corpo-e-danca-na-educacao-infantil-por.html. Acesso em 21 jun. 2019.

Dessa forma, é possível e imprescindível que a Dança seja abordada juntamente como o brincar para as crianças. Pois através das minhas experiências com crianças, percebi que por meio do lúdico, conseguimos a atenção delas e assim, elas aprendem com mais vontade e disposição.

Me aproximando da pedagogia de Paulo Freire, acredito que aliando a dança com o lúdico, posso me aproximar do universo das crianças, falando a linguagem delas, e dessa forma, facilitando a aproximação e relação aluno-professor e aluno-aluno, através da interação que o brincar propõe. Considero que dessa forma, aluno e professor possam dialogar em condições de igualdade.

A Pedagogia Libertadora proposta por Paulo Freire objetiva a transformação da prática social das classes populares. [...] Na metodologia de Paulo Freire, alunos e professores dialogam em condições de igualdade, desafiados por situações-problemas que devem compreender e solucionar. (FUSARI; FERRAZ, 1993, p.44)

Nas aulas de Dança em que ministrei esse semestre no estágio supervisionado de Dança, por exemplo, procurei colocar o lúdico nas abordagens com as crianças e obtive muito sucesso com isso, pois percebi que as crianças faziam a aula com muito mais vontade e interesse.

Quando as crianças brincam, observa-se a satisfação que elas experimentam ao participar das atividades. Sinais de alegria, risos, certa excitação são componentes desse prazer, embora a contribuição do brincar vá bem mais além de impulsos parciais. A criança consegue conjugar seu mundo de fantasia com a realidade, transitando, livremente de uma situação a outra. Há uma ação psicofísica na consecução dos objetivos: no ato de brincar, a criança propõe-se a fazer algo e procura cumprir sua proposição (GARCIA E MARQUES, 1990, p.11).

Pensando em Dança na Escola, que é o meu foco, de acordo com o referencial curricular nacional para a educação infantil (1998), é imprescindível que sejam oferecidas, à criança, atividades voltadas para as brincadeiras ou para as aprendizagens que ocorrem por meio de ações em grupo, para que ela possa exercer sua capacidade de criar.

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[...]Há várias formas de sugerir às crianças que brinquem com seus corpos e inventem suas danças a partir de suas histórias corporais. A primeira delas é trabalhar com os próprios elementos da linguagem da dança: o espaço, o corpo, os ritmos, as ações corporais, os relacionamentos. (MARQUES, 2009. Corpo e Dança na Educação Infantil. Disponível em: http://arteirinhos.blogspot.com/2009/09/corpo-e-danca-na-educacao-infantil-por.html. Acesso em 21 jun. 2019.

Dessa forma, pretendo que nas aulas de Dança para crianças desenvolver com elas a noção de espaço, ritmo, com ações corporais, baseadas nos estudos de Laban, a consciência corporal, trazendo o lúdico, dando a oportunidade se relacionarem entre si, criarem dança individualmente e em grupo e dar a oportunidade de apreciarem dança, desenvolvendo a sociabilização entre elas, envolvendo sempre, a dança e o brincar.

Referências Bibliográficas

ALMEIDA, Fernanda de Souza. Que dança é essa? Uma proposta para a educação infantil. 3°. ed. São Paulo: Summus Editorial, 2016.

BARBOSA, Ana Mae Tavares Bastos (ed.). Ver, fazer, contextualizar. Rio de Janeiro: Coleção Memoria da Pedagogia, 2006

CÓRIA-SABINI, Maria Aparecida; LUCENA, Regina Ferreira de. Jogos e Brincadeiras: Na educação infantil. 6°. ed. Campinas-SP: Papirus, 2012.

FERNANDES, Ciane. O corpo em movimento: O sistema Laban/Bartenieff na formação e pesquisa em artes cênicas. 2°. ed. rev. São Paulo: Annablume, 2006. 408 p.

FOUCALT, Michel. CORPOS DÓCEIS E DISCIPLINADOS NAS INSTITUIÇÕES ESCOLARES. [S. l.: s. n.], 2011. Disponível em: https://educere.bruc.com.br/arquivo/pdf2011/4342_2638.pdf. Acesso em: 22 jun. 2019.

FUSARI, Maria Felisminda; FERRAZ, Heloísa Correa. Arte: Estudo e ensino (2° grau). São Paulo: Cortez, 1993.

BERGE, Yvonne. Viver o seu corpo: Por uma pedagogia do movimento. Tradução: Estela dos Santos Abreu e Maria Eugênia de Freitas Costa. 4°. ed. rev. São Paulo: Martins Fontes, 1988.

LABAN, Rudolf. Domínio do Movimento. Edição organizada por Lisa Ullmann. Summus editorial.

LIBÂNEO, José Carlos. Ensino de 2° grau-Brasil. São Paulo: Cortez, 1994.

MARQUES, Isabel A. Corpo e Dança na Educação Infantil. São Paulo: Cortez, 2009. Disponível em: http://arteirinhos.blogspot.com/2009/09/corpo-e-danca-na-educacao-infantil-por.html. Acesso em: 22 jun. 2019.

MARQUES, Isabel A. Dançando na escola. São Paulo: Cortez, 2003.

MILLER, Jussara. A escuta do corpo: Sistematização da Técnica Klauss Vianna. 3°. ed. São Paulo: Summus Editorial, 2016.

NANNI, Dionísia. Dança Educação. 5°. ed. Rio de Janeiro: Sprint, 1995.

STRAZZACAPPA, Márcia. A educação e a fábrica de corpos: a dança na escola. [S. l.]: Cadernos Cedes, 2001. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0101-32622001000100005&script=sci_abstract&tlng=pt. Acesso em: 22 jun. 2019.

VIANNA, Klauss. A Dança. 5°. ed. São Paulo: Summus Editorial, 2008.

https://www.ipabrasil.org. Acesso 20 jun.2019

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/1990-1994/d99710.htm. Acesso: 21 jun. 2019

http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/livro06.pdf. Acesso 22.jun.2019

http://www.abrinquedoteca.com.br/pdf/44ain.pdf. Acesso 23 jun. 2019

http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_docman&view=download&alias=15548-d-c-n-educacao-basica-nova-pdf&category_slug=abril-2014-pdf&Itemid=30192. Acesso em 25 jun. 209

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