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Com brinquedo ou sem brinquedo a criança brincará

- Rosalina Marinho Andrade Rodrigues -


A história da infância foi modificada conforme a época vivida, por exemplo na Idade Média a criança assim que não precisasse mais de cuidados, ingressava no mundo adulto, sem preparo e não saia mais deste mundo, não havia o cuidado e a preocupação que temos atualmente com a criança e infância.

De acordo com as pesquisas realizadas foi comprovado que o brincar é de extrema importância para o desenvolvimento humano. Os bebês quando estimulados através de brincadeiras, carinho e conversas tem começam a desenvolver-se socialmente, a corporeidade e cognitivamente. Nessa fase é o momento de descobertas e quanto mais estimuladas mais se cria laços de afetividade e possibilidades para um bom desenvolvimento.

Conforme a criança vai crescendo, altera seu modo de brincar, sozinha ou acompanhada, com brinquedo ou sem brinquedo a criança brincará, inclusive porque o Brincar é um direito garantido por lei para crianças. Mas será que as crianças estão brincando? Como será que hoje elas brincam? São questões para refletirmos enquanto lemos o artigo.

Para a educadora e antropóloga Adriana Friedmann, as crianças hoje brincam cada vez menos, pois ficaram dependentes dos brinquedos e produtos tecnológicos que o mercado oferece e que os pais têm comprado, motivados mais pelo marketing que pela consciência de que esses produtos são adequados. Nas escolas, o tempo do recreio, o tempo livre sem atividades, está ficando cada vez menor ou mais direcionado. As crianças estão dependentes do direcionamento dos adultos e muitos afirmam que elas não sabem mais brincar. Mais uma vez te convido a refletir: “Por que este pensamento de crianças não sabem mais brincar?” Será mesmo que elas não sabem brincar? Será a tecnologia a vilã do brincar?


Para ajudar a responder disponho uma pesquisa foi retirada do Livro Bora Brinca (página 19).

Essas expressões das crianças aconteceram durante momentos de brincadeiras na escola, no clube, no parque:

“Brincar é se divertir” (B. S. S. / 5 anos)

“Brincar é como se fosse a vida real” (M. L. S. C. A. / 6anos) “Brincar é ser super-herói” (F. A. / 5 anos) “Brincar é virar uma princesa” (M. I. S. A. / 5 anos) “Brincar é se divertir, é brincar de boneca, brincar de castelo, carrinho e também brincar de pega-pega” (L.G. / 8 anos)


“Brincar é ser igual ao papai, dirigir carro, trabalhar e fazer compra também” (L.K. / 5 anos) “Brincar é ser feliz, ter amigos, se divertir, aprender,respeitar regras e sei lá!!! Estar de bem com a vida” (A. L.L. / 9 anos) “Brincar é se divertir com os amigos” (A. S. A.) “Brincar é se divertir. Eu adoro brincar de Ken e Barbie” (O. A. S. S. / 4 anos)


“Brincar é estar feliz como uma princesa” (A. B. S. S. / 5 anos) “Brincar é jogar videogame, quando jogo me sinto dentro do jogo” (D. V. /11 anos) “Brincar é jogar com meus amigos, jogos com regras e até aprendi algumas coisas de matemática brincando” (M. / 12 anos)


Aqui podemos concluir que para criança brincar é se divertir, é se transportar no tempo é poder ser o príncipe ou princesa, é dirigir um caixa de papelão, é correr, jogar bola, enfim há inúmeras possibilidades de se brincar.

O agente do brincar irá proporcionar para a criança um brincar livre, no qual a criança seja o que sua imaginação permitir, sem julgamentos deixando apenas fluir toda criatividade, sensibilidade e alegria de uma brincadeira. Quem pode ser um agente do brincar?


Qualquer pessoa que deseje que o direito de brincar seja assegurado e que entenda que o brincar é essencial para desenvolvimento humano. Abrange profissões como professores, médicos, enfermeiros, jornalistas, arquitetos, pais, tios, etc todos são bem vindos a essa causa.

Pode surgir a dúvida se o agente do brincar é um tipo de recreador. Como explicado no parágrafo anterior o objetivo do agente do brincar é de facilitar Brincar livre, já a recreação é uma atividade programada, na qual a criança brinca, mas com o adulto orientando a todo momento, com atividades guiadas. O agente do brincar também orienta e ensina, porém quando percebe que a criança está realmente brincando deixa de interferir na brincadeira a não ser que a criança o chame para brincar. No curso do agente do brincar, podemos aprender novas habilidades e principalmente enxergar a criança como um ser social que gera cultura e está em constante desenvolvimento e no papel é garantir que brinque, ensinando novas brincadeiras, contando histórias, brincando com lúdico.



No primeiro dia de aula, relembramos na prática como era brincar, utilizando somente o corpo sem brinquedos, foi uma aula tão divertida que nos levou para muitos anos atrás nas ruas em que brincávamos livres, sendo crianças.Podemos perceber que um agente do brincar precisa estar de coração e mente abertos para as possibilidade se deixar levar com a sua criança interior nesse novo caminho que se abria.

A aula de Andrew Swan nos permitiu entender o quanto é rico o brincar na natureza, mesmo quando há pequenos riscos de cair e se arranhar, se sujar, de se molhar estes riscos enriquecem a experiência do brincar. O importante é não deixar a criança em uma redoma de vidro protegendo de tudo, riscos, medos, desafiam e também ajudam no desenvolvimento psicológico.