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Experiências com o brincar

- Bruna Maria Marra-

Ao olhar para minhas mais remotas memórias, percebo que o brincar está em todas as pequenas coisas que fizeram da minha infância uma época feliz.

São momentos como aos 2 anos, na escolinha, comendo um pacote de pipoquinha doce e imaginanando que uma pipoca vinha açucarada, a pipoca seguinte não, a próxima sim, a outra não, a seguinte açucarada novamente, a próxima nem tanto.... Em meus primeiros brincares estão cantar músicas da “Dona Aranha na parede” e da “Borboletinha na cozinha”, ser balançada na rede de casa, nadar em uma piscina de plástico e falar com o papagaio da minha tia.

As vezes, antes de dormir, meu irmão e eu conversávamos em outra língua, inventada por nós mesmos, e as vezes brigávamos por eu queria brincar com o “Bichinho Virtual” dele, mesmo sem nem saber como funcionava aquele brinquedo. Dançar músicas da Eliana, brincar de bonecas, desenhar e correr com o cachorro foram algumas das minhas brincadeiras antes dos 4 anos.

Ao me mudar para uma chácara no interior, as brincadeiras passaram a ser “cavucar” em montanhas de areia, fazer buracos na terra, encontrar minhocas, nadar no lago, explorar os terrenos dos vizinhos, colorir pedrinhas e dar cenouras aos coelhos. Já nos dias de chuva ou de frio, o jeito era ficar dentro de casa assistindo desenhos engraçados da tv, ver mil vezes o mesmo filme da fita cassete, ou ouvir histórias como a do Mágico de Óz no disco. Mas se a chuva fosse “de verão”, minha mãe nos deixava correr e dançar na chuva mesmo.

Voltando para a cidade grande aprendi a andar de bicicleta, e com os amigos da vila brinquei de pega-pega, polícia e ladrão, batatinha frita 1,2,3 e até de verdade ou desafio. Gostava também de fazer artes manuais como as do programa de tv Art Attac. No curso de teatro aprendi jogos teatrais e brincadeiras em roda. Na escola, gostava de jogar Bayblade, trocar figurinhas de álbuns, pular corda, muita pega-pega, jogar futebol e dançar Rouge. Se equilibrar na guia da calçada, bater com um graveto nas grades das casas ou pisar com os dois pés nos detalhes da rua faziam parte do percurso escola-casa. Brincar de bolinha com o cachorro, me fantasiar com as roupas do meu irmão, bonecas Barbie ainda, andar de bicicleta pelo bairro, zoar junto com os amigos na praça, ir para o Projeto Curumim no Sesc Pompéia fazer esporte e aprender diversas coisas diferentes.. . Bons tempos!

Na adolescência meu brincar passou a ser nas piadas com os amigos, contando causos humorados e rindo de situações embaraçosas. Nessa faze minha mãe gostava de me levar para fazer danças circulares nos parques, eu achava chato, mas também legal. Trabalhando como recreacionista em festas, mediei brincadeiras de Caça-ao-tesouro, esconde-esconde, variações de pega-pega, queimada, jóquei-pó na linha, circuitos, e muitas brincadeiras populares. Também me fantasiei de personagens para brincar com as crianças, contei histórias com fantoches e fiz pinturas faciais. Sinto que pude assim levar momentos de brincar e de divertimento para muitas crianças.

Em minha experiência como Jovem Monitora Cultural de uma biblioteca, mediei leituras para as crianças que vinham visitar o espaço, e as vezes brincava com elas de jogos de tabuleiro ou ensinando-as a fazer origamis. Sendo babá, para conseguir convencer as crianças de irem jantar, escovar os dentes, tomar banho e dormir, precisei fazer muitas brincadeiras que conduzissem elas de forma divertida e lúdicas para tais tarefas, sempre com uma “histórinha do sono” improvisada na hora, até que finalmente dormiam.

Atualmente, trabalhando como auxiliar de educação infantil e como educadora no centro religioso que frequento, reavivo e transmito meus jogos e brincadeiras preferidas da infância, assim me alegro em ver que com minhas experiências passadas posso tornar feliz a infância dessas crianças. Brinco ao cantar músicas populares para as crianças, ao jogar meu sobrinho para o alto e fazer caretas para ele, e ao fazer um desenho ou uma arte manual que me traz satisfação.

Quando jogos e brincadeira me são propostos, levo bem a sério, porque lá no fundo tenho um espírito competitivo a ponto de sentir uma empolgação que parece adrenalina liberada no corpo, e porque brincar me aproxima de pessoas desconhecidas, é uma forma de olhar para o outro e rir numa uma emoção sincera.

Para o futuro, espero aprender muitas brincadeiras, cantigas e histórias diferentes, ser a “tia brincalhona”, e poder levar o brincar para todos os lugares onde eu for trabalhar.

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