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Observar primeira infância e o poder do brincar

- Bárbara Alves Garcia -


É muito comum ver em escolas de educação infantil, principalmente com as idades de 4 e 5 anos a seguinte fala, “aqui as crianças só podem brincar em um determinado período da grade horária, temos um currículo a cumprir. No fundamental eles não podem brincar, precisam acostumar que a brincadeira é só em casa”. Mas sabemos que essa é uma atitude totalmente contraditória, já que dentro da Educação Infantil, deve-se garantir o direito do brincar.


O educador tem um papel extremamente importante para esta garantia. A formação de um profissional qualificado e que entenda que o brincar não é apenas entretenimento, mas que o brincar promove ao desenvolvimento motor, de identidade e de competências que acontecem nessa interação, é necessário.

Na Declaração Universal dos Direitos das Crianças, escrita pela ONU, no artigo 7, entre os direitos de que toda criança deve ter, está o direito de brincar. Na seguinte frase “Toda criança terá o direito de brincar e a divertir-se, cabendo à sociedade e às autoridades publicas garantir a ela o exercício pleno.


“O universo infantil está presente em cada um de nós”.


Ou seja, é dever de todos nós, cidadãos, garantir esse direito a todas as criança. A criança, sendo um ser de direito, precisa ser tratada de forma respeitosa. E não como alguém passivo que precisa apenas ir para a escola e aprender a se preparar para a vida adulta. Quando a brincadeira é barrada ou impedida, o desenvolvimento da criança está sendo prejudicado também. Por meio do brincar, a criança está desenvolvendo habilidades, criatividade, empatia.


Sobre o papel do educador, quatro pontos são importantes para conseguir garantir e ter uma visão ampla sobre o brincar. A formação, saber inspirar os seus alunos, organizar o espaço, e conseguir observar esse brincar. A formação é o que consolida os outros três pontos, por isso vou falar dela no final.



Dentro da escola, existe o brincar dirigido e o brincar livre. O educador consegue inspirar e realizar diversas interações entre os tipos de brincar. De acordo com o texto “Excelência do brincar”:

O brincar dirigido, a criança pode explorar as possibilidades oferecidas dentro da ideia inicial do educador. O brincar dirigido pelas crianças, ou seja, o brincar livre, as crianças estabelecem entendimentos compartilhados com os adultos e estão usando o brincar para promover seus próprios objetivos. O brincar que é originado pelas crianças dentro da estrutura educacional da a eles liberdade e segurança para se expressarem imaginativamente. (Excelência do brincar - pagina 206)


Com uma observação atenta e cuidadosa, conseguir perceber as relações entre as crianças no brincar, conseguir perceber também que o brincar promove o desenvolvimento infantil, mas que também melhora a capacidade emocional, intelectual, motora e social das crianças, é algo rico.

Em relação à organização do espaço, pode parecer algo fútil e desnecessário. Mas ele é tão importante quanto conseguir observar as interações. O espaço convida a criança para brincar, o educador deve considerar objetos que possam estimular o desenvolvimento integral da criança.


Os objetos devem ser pensados, de modo que possam ser desafiadores e, ao mesmo tempo, não tragam riscos para a criança. Com um olhar desse educador, ele consegue trazer brincadeiras que vão além da tradicional. Conhecendo os seus alunos, consegue propor atividades desafiadoras.


Lembrar também que dentro do espaço, é necessário uma igualdade no brincar. E como essa igualdade aparece? Dentro das primeiras relações de brincar entre as crianças, os vínculos começam a ser formado. Junto com esses vínculos, as crianças trazem o seu próprio cultural de casa. Muitas vezes, as crianças vivem em uma “bolha”. Dentro da escola, a professora pode, consegue e deve apresentar as diferentes tipos de cultura dentro da brincadeira.