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A TECNOLOGIA E O BRINCAR

- Gabriela de Carvalho Santos -



Futebol, amarelinha, queimada, pega-pega, esconde-esconde, rouba bandeira. Praticamente todas essas brincadeiras fizeram parte da infância de diversas pessoas e são ótimas lembranças de uma época quando a maior preocupação era fazer a lição de casa. Hoje, muitas delas ainda estão presentes no dia a dia de várias crianças, mas algo mudou. Se antes grande parte deles passava o dia brincando na rua com os amigos, hoje é cada vez mais comum vermos crianças dentro de casa a maior parte do tempo.

Tal realidade foi causada por diversos fatores ao longo dos anos, como o quesito “segurança”, especialmente em cidades grandes. Mas a tecnologia também tem um dedo nessa história. Agora, a televisão, o videogame, o computador e o celular são outros bons motivos que fazem com que as crianças saiam ainda menos de casa. Afinal, a diversão encontra-se logo ali, no conforto e na segurança do quarto ou da sala de estar. A tecnologia se tornou fundamental nas nossas vidas, em casa, nas escolas, nas praças ou restaurantes. É cada vez mais comum presenciar em locais públicos, onde a princípio seriam alternativas para sair, jogar conversa fora, ao invés disso veem-se famílias inteiras como: pais, mães, filhos e até bebes com seus objetos tecnológicos e o mínimo possível de contato físico social. Mas será que a tecnologia pode ser uma péssima ferramenta para o desenvolvimento da criança? Ou com bons cuidados e supervisão, pode ter seu lado positivo? Veremos ao longo deste artigo os prós e contras do uso da tecnologia na infância.


O BRINCAR E A TECNOLOGIA

As crianças têm livre acesso aos aparelhos eletrônicos e, consequentemente, os pais precisam ficar atentos ao conteúdo acessado, avaliar se o que está sendo apresentado é educativo ou não, se está de acordo com a faixa etária e, mais do que isso, tentar interagir com a criança para que ela desenvolva a sociabilidade mesmo não estando em contato direto com outras pessoas. É muito comum vermos comportamentos difíceis de serem lidados e o excesso da tecnologia contribui para que essas situações se tornem rotineiras. Existem crianças que deixam de comer, de dormir, de ir ao banheiro e principalmente de brincar, tudo para ficar em frente à TV, celular ou videogame. Mas utilizando de forma correta, pode trazer bons resultados para o desenvolvimento da criança. Com isso, compreende-se que a tecnologia tem o seu lado negativo e positivo.

Desse modo, no que diz respeito ao seu uso, para ser considerado uma vantagem ou desvantagem, depende do direcionamento que o adulto propõe para a criança. Ou seja, só precisa ser utilizada da maneira correta. No campo do ensino aprendizagem da criança ela se torna uma ferramenta indispensável. A televisão, o computador são exemplos de ferramentas que podem ser aliados do processo pedagógico. Se usados corretamente, com objetivos, podem complementar o processo de ensino-aprendizagem e promover interação. De acordo com (LIBÂNEO, 2001, p. 70):


[...] as mídias apresentam-se, pedagogicamente, sob três formas: como conteúdo escolar integrante das várias disciplinas do currículo, portanto, portadoras de informação, ideias, emoções, valores; como competências e atitudes profissionais; e como meios tecnológicos de comunicação humana (visuais, cênicos, verbais, sonoros, audiovisuais) dirigidos para ensinar a pensar, ensinar a aprender a aprender, implicando, portanto, efeitos didático, como: desenvolvimento de pensamento autônomo, estratégias cognitivas, autonomia para organizar e dirigir seu próprio processo de aprendizagem, facilidade de análise e resolução de problemas, etc.”



Então, os pais e também escola devem estar atentos em relação a essas questões. Estes devem ser mediadores da relação criança-tecnologias. No intuito de ter um controle e uma metodologia que vise desenvolver os efeitos que o autor ressalta acima.



A tecnologia na vida dos bebês


Um dado surpreendente é que são crianças bem novas que já têm contato com esse mundo tecnológico, sendo que é muito comum vermos no dia-a-dia um bebê com o celular na mão, o pai/responsável tentando distrair a criança com algum vídeo ou joguinho no tablet.


E isso pode ser uma má ideia, conforme diz um trecho de uma notícia no G1: ” A Academia Americana de Pediatria (AAP) recomendava, desde 1999, que o contato com telas não ocorresse antes dos 2 anos. Isso porque, de acordo com o instituto, bebês nesta faixa etária teriam mais perdas do que ganhos ao usar tablets, televisão e celulares. Crianças de 12 a 18 meses aprendem com experiências vivas e não com vídeos, de acordo com AAP.”. E o excesso de tecnologia não tem pontos negativos somente quando é a criança que está manuseando o aparelho, mas uma mãe, por exemplo, que fica o tempo todo no celular, até mesmo quando está amamentando seu filho, pode ser um problema. Uma das coisas mais importantes para um bebê, é o contato olho a olho com quem cuida dele. E através desse contato, ele vai ser capaz de mapear certas emoções, desenvolver sua linguagem, sua visão e muitos outros estímulos. Então quando o bebê perde esses momentos de ternura, conexão, de conhecer o ser que está por trás de todo cuidado que ele precisa, ele pode ter uma certa dificuldade emocional e social.


VANTAGEM X DESVANTAGEM



Cada faixa etária tem um grau específico de desenvolvimento. Até os 3 anos de idade é quando a criança está aprimorando os estímulos do corpo, a linguagem, audição, entre outras coisas. Nessa fase, se os pais deixarem elas menos nos aparelhos eletrônicos, é melhor para o seu desenvolvimento. Isso porque a criança fica exposta a muita luz e muitos ruídos diferentes, causando dificuldade de dormir a noite, dificuldade na fala e até mesmo na alimentação. Acima dos 3 anos a criança já tem consciência da linguagem, já sabe distinguir sons diferentes, então já seria aceitável o uso da tecnologia. Programas bem coloridos, desenhos que oferecem diversos estímulos visuais e auditivos, que fazem com que a criança converse com eles, e que fazem perguntas pra elas, trazem bons benefícios. Mas sempre com a supervisão dos pais e com duração de, no máximo, 1 hora em média por dia.



O videogame pode trazer malefícios mas também tem seus benefícios. Com ele, as crianças podem se tornar mais criativas, contribui para o aumento da agilidade no raciocínio e também pode influenciar na escolha da futura profissão delas, pois o fato de os jogos melhorarem as habilidades de visão espacial, pode ser uma porta para bom desempenho em áreas da ciência, tecnologia, engenharia e matemática. No entanto, existem algumas desvantagens que podem prejudicar o desenvolvimento dos pequenos, podendo acarretar: obesidade, sedentarismo, desinteresse com coisas essenciais no dia a dia, como: alimentação, sono e o brincar, algo fundamental para o crescimento pessoal delas. E isso ocorre com qualquer aparelho eletrônico, existindo seu lado bom e seu lado ruim, mas sempre ponderando para manter o equilíbrio.


CONCLUSÃO


Com os aspectos observados, foi possível entender que a tecnologia dentro do brincar tem seus benefícios, mas também suas desvantagens. É importante ter um equilíbrio e uma atenção mais profunda para que essa grande ferramenta mundial, não prejudique o desenvolvimento das crianças. É essencial os pais ficarem atentos e presentes com o uso dos aparelhos eletrônicos. Não deixando seus filhos se perderem nesse universo intenso, com muita coisa boa, e consequentemente deixarem de lado o brincar. O brincar na rua, na natureza, com ao amigos ou sozinho. A brincadeira fora de casa é fundamental para todas as idades. Ela cria resiliência, noção de perigo e de espaço.


REFERÊNCIAS


• LIBÂNEO, José Carlos. Adeus professor, adeus professora. São Paulo: Cortez, 2001.

• TENENTE, Luiza. Celulares, tablets e TVs devem ser liberados para crianças? 26, maio 2017. Disponível em: https://g1.globo.com/educacao/noticia/celulares-tablets-e-tvs-devem-ser-liberados-para-criancas-especialistas-dao-cinco-dicas-do-que-e-certo-ou-errado.ghtml. Acesso em 10 de junho/2019.c

• LOSSO, Renata. Crianças X computadores: benefícios e males da era tecnológica. 16, ago.2010. Disponível em: http://delas.ig.com.br/filhos/criancas-x-computadores-beneficios-emales-da-era-tecnologica/n1237749844018.html. Acesso em: 10 de junho/2019. Especial para o iG São Paulo.

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