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Alma de criança no corpo de adulto

- Andrea Ribeiro Ramos -


Agente do Brincar é estar sempre com o coração aberto e a mente criativa buscando novas experiências, além de estar disposto a aprender e reaprender constantemente, interagindo e contribuindo com nossa sociedade, promovendo práticas que visem o bem-estar e o desenvolvimento, e esta é a maior lição que levaremos em nossos corações junto com a formação no curso de Agentes do Brincar.


De acordo com Marilena Flores “o Agente do Brincar...promoverá mudanças nas pessoas e no contexto familiar e social em que vivem”, em nossa jornada durante o curso aprendemos a transformar a vida de crianças e adolescentes, principalmente com a atividade do Dia do Brincar. Ah! E, como brincamos, nos divertimos muito, e principalmente crescemos como seres humanos ao compartilhar nossas experiências com crianças carentes de amor, carinho, cuidados e especialmente com falta de brincar, pois como estudamos com Irene Quintáns, os pais e responsáveis estão mais preocupados em levar as crianças ao médico do que em brincar com elas, conforme a pesquisa Primeira Infância.

Desse modo, as crianças estão se tornando mais doentes, mais obesas, mais sedentárias, desenvolvendo mais casos de diabetes infantil, mais casos de falta de vitamina D, depressão, doenças crônicas, além de apresentar um crescimento exorbitante de diagnósticos de TDAH, transformando o Brasil no segundo país do mundo em consumo de Ritalina, resultado da falta do brincar livremente.


É uma realidade dura e difícil, mas como Agentes do Brincar também aprendemos que podemos transformar nossa cidade num espaço saudável e convidativo para o desenvolvimento humano apenas com práticas lúdicas, promovendo uma verdadeira revolução na vida das crianças e adolescentes, pois o brincar é um direito de todos, defendido por Andrew Swan ao verificar que o brincar promove o desenvolvimento social, físico, intelectual e criativo e o emocional , promulgado pelo artigo 31º da Convenção sobre os Direitos da Criança das Nações Unidas, e divulgado pela IPA Brasil em ações como o Dia do Brincar, realizado dia 10 de junho de 2017 pelos alunos da qualificação profissional em Agentes do Brincar da ETEC Parque da Juventude.

O relato que nos foi apresentado por Andrew Swan utilizando as palavras de Tim Gill que reitera:


as crianças de hoje podem parecer e soar mais como adultos. Elas podem estar imersas em culturas e estilos de vida dos adultos. Mas, observando melhor, a vida das crianças de hoje é muito mais limitada e vigiada do que em qualquer momento nos últimos 40 anos ou mais. Nos anos 1960 e 70, crianças de 8 anos de idade tinham um nível de autonomia e liberdade que atordoaria os adolescentes de hoje (geração twitter)”,

Uma vez que a criança precisa de espaços e oportunidades para brincar livremente, crescer e se desenvolver de maneira saudável. No entanto, não é o que ocorre hoje em dia, e por isso temos que defender a bandeira do brincar, porque é durante a brincadeira que interagimos, e é pela interação humana que aprendemos e nos desenvolvemos, já que os seres humanos aprendem pela troca de experiências, em razão de Vygotsky reiterar que o desenvolvimento cognitivo do aluno se dá por meio da interação social, ou seja, de sua interação com outros indivíduos e com o meio, exatamente o que proporcionou o dia do brincar, nossa interação com as crianças e seus familiares.


Nos foi ensinado por Daniela Marcilio que o Agente: entende e valoriza o processo do brincar, reflete sobre possíveis ações futuras e inclui a criança no centro do processo, apoia a criança e o adolescente no brincar, brinca, prepara e ajuda na manutenção do ambiente lúdico, possibilita o brincar ininterrupto, permite que a criança defina o conteúdo do seu brincar, cria oportunidades para que as crianças melhorem suas habilidades no seu tempo, de acordo com suas capacidades, possibilita que as crianças decidam o porquê do seu brincar, espera ser convidado a brincar, só organiza o brincar quando requisitados pelas crianças.


Ainda com Daniela, aprendemos a organizar o dia do brincar, e nos divertimos com as brincadeiras tradicionais, como pular corda, corrida de saco, brincadeiras com bola, entre outras, também aprendemos a desenvolver e estimular nossos sentidos com a estação sensorial, que divertiu muitas crianças de maneira lúdica e diferente do habitual, além de permitir as crianças deficientes que pudessem participar ativamente, já na estação de reciclagem, ensinamos e aprendemos a montar os mais divertidos e criativos brinquedos, com os mais diversos materiais recolhidos pelos Agentes ao longo do semestre.


No entanto, a minha escolha de trabalho foi a estação de contação de histórias, pois foi com muito carinho que montamos o cenário “palco” da contação, uma floresta mágica para empolgar e estimular a todos, onde pudemos pôr em prática todos os ensinamentos de Fabio Lisboa, já que a contação permite conectar-se ao outro, quebrar preconceitos, encantar-se com a beleza, despertar a criatividade e propagar o belo, além de fornecer uma conexão ente o falante e o ouvinte, em virtude de enlaçar o coração e a atenção do ouvinte com as emoções e as significações da história.

E, quanta significação os pequenos leitores e ouvintes nos trouxeram, o ávido leitor Samuel não conseguiu desprender os olhinhos das páginas coloridas e cativantes, fascinando a todos com seu sorriso e paixão pelos livros, as pequenas Laura e Isabela encantaram-se pelos desenhos, assim como o Guilherme que trouxe o pai para pintar os animais.

Assim, o dia foi passando, interagimos com a história cantada da Adriana, rimos com o Dom Maracujá da Nicole, brinquei e contei, com o auxílio do dedoches, a história dos três porquinhos, além de brincarmos com a doce Mari que até deixou de lado a cadeira de rodas para participar da história, pois segundo a Aline Lima são muitas “as possibilidade do brincar, tem gente que brinca com as palavras, outros com as nuvens, com os quadrados do chão da cozinha, com o retrós de linha vazio, com os sons, com o corpo, com a imaginação, e com outras possibilidades dentro do vasto universo das brincadeiras”, assim que a Mari pode brincar e se divertir. O mais gratificante foi ouvir os avós afirmarem que há muito tempo não se divertiam tanto quanto naquele 10 de junho de 2017, o dia do brincar.


Conseguimos criar um ambiente estimulante e saudável que contribuiu para o desenvolvimento cognitivo dos participantes, confirmando a teoria instrumentalista evolucionista de Jerome Bruner que afirma que “o desenvolvimento cognitivo será tanto mais rápido quanto melhor for o acesso da pessoa a um meio cultural rico e estimulante”, o que foi proporcionado pelo Agentes do Brincar.


Ainda consonante com Flores temos que “pesquisas comprovam que ao brincar com as crianças pequenas, oferecendo-lhes um ambiente de afeto e respeito, além de contribuir para o desenvolvimento de habilidades e competências fundamentais para a sua vida futura, poderemos ajudá-las a desenvolver áreas do cérebro responsáveis pelo sentimento de empatia. Este é um sentimento importante quando falamos de um mundo cada vez mais diversificado onde o reconhecimento e a aceitação das diferenças tornam-se essencial para a convivência pacífica e a valorização das pessoas, independentemente dos grupos aos quais pertençam” confirmando a teoria das inteligências de Howard Gardner que estabelece que cada indivíduo nasce com um vasto potencial de talentos ainda não moldado e que deve ser explorado, contemplando todas as inteligências.



Neste contexto está inserido o Agente do Brincar, papel que exerceremos com grande responsabilidade e respeito, pois aprendemos o quão somos importantes para contribuir para o desenvolvimento das gerações futuras, peça fundamental para contribuir com o desenvolvimento e o crescimento de nossa sociedade de maneira crítica e saudável, sempre respeitando a todos.

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