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BRINCAR PARA A CRIANÇA AUTISTA

- GIOVANNA GIULLIEN BARBOSA DE OLIVEIRA -


O presente artigo tem como objetivo apresentar diferentes visões sobre o brincar como meio benéfico e necessário para o desenvolvimento psicológico, motor e social do ser humano, desde os anos iniciais e sem prazo de validade. Possui como referências: O artigo de Cipriano e Almeida “ O brincar como intervenção no Transtorno do Espectro do Autismo” , com viés de principalmente, utilizar do brincar como meio para a intervenção terapêutica em seus atendimentos, nos âmbitos do processo de desenvolvimento socioafetivo e neuropsicomotor, mostra também sua significação na mediação pedagógica. O artigo de Martins e Góes “ Um estudo sobre o brincar de crianças autistas na perspectiva histórico-cultural” tem como viés apresentar práticas educativas promissoras através da abordagem histórico-cultural, com estudo em sessões de brincadeiras.

O artigo de Chiote “ A mediação pedagógica no desenvolvimento do brincar da criança com autismo na educação infantil” uma pesquisa de estudo em uma escola, tem como viés a importância da relação estabelecida entre a educadora e o aluno autista, para seu desenvolvimento através do brincar, no aspecto pedagógico. A justificativa da escolha desse tema é devido a falta de informação que existe sobre a importância do brincar no desenvolvimento e devido a necessidade de quebrar estereótipos acerca do autismo, para que então seja possível formar pessoas autônomas, competentes para ingressar na sociedade, independente de seu diagnóstico.



DESENVOLVIMENTO O brincar possibilita à criança vivenciar todas as experiências que precisa para seu desenvolvimento e dentro de situações cotidianas em que precisa resolver. Com isso suas habilidades são potencializadas e consegue passar para um maior nível de desafio do estágio seguinte. O brincar é um lugar seguro de experiências, e por isso nenhuma criança deve ser privada de vivenciá-la.

Todos os investimentos que possibilitem à criança a sair de sua zona de conforto e que a façam ir além de suas dificuldades inicialmente apresentadas e vivenciadas por elas, utilizando quaisquer instrumentos mediados pela equipe multidisciplinar que atenda a crianças e partindo de uma proposta lúdica (como a voz, o canto, o toque, o olhar ou o brinquedo propriamente dito, ou mesmo os próprios materiais de intervenção precoce utilizados em núcleos e centros especializados, como a bola, o rolo, o tecido, entre tantos outros recursos), todas essas ações podem ser entendidas como de intervenção pelo brincar. (CIPRIANO E ALMEIDA, 2016, p. 88). No caso das crianças autista, os autores apontam a dificuldade que a criança com o diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista (TEA) possui para simbolizar, mas que essa dificuldade torna impossível que essa habilidade seja alcançada. Apontam também em seus estudos que, é ocorrente que já no diagnóstico da criança, as pessoas que a rodeiam desistem facilmente de estimular o brincar, devido ao estereótipo formado socialmente de que, se é autista não consegue brincar, ou quando chega a existir o estímulo, logo se desiste por não perceber um efeito imediato. O autismo é classificado como um distúrbio global do desenvolvimento, no qual há um comprometimento em diversas áreas do comportamento e do psiquismo. Na descrição da Classificação Internacional de Doenças - CID 10 (Organização Mundial da Saúde, 1993), essa patologia é definida como um transtorno invasivo do desenvolvimento, identificado pelo surgimento antes da idade de 3 anos e “pelo tipo característico de funcionamento anormal em todas as três áreas de interação social, comunicação e comportamento restrito e repetitivo” (p. 247). (MARTINS E GÓES, 2013 p. 26).

A criança com o espectro não é incapaz de brincar, ela só não se desenvolve como as outras que não o têm, ela precisa ser ensinada, e estimulada em todos os campos de suas relações sociais. Essas relações precisam trabalhar em conjunto, em um mesmo movimento para que seja possível que as mudanças ocorram e que a criança não fique exposta a uma confusão maior do que, a que já existe em sua cabeça, e claro para que os resultados se mostrem presentes e a criança possa ter uma melhor qualidade no seu desenvolvimento. A brincadeira é como uma forma de comportamento social, onde as ações lúdicas da criança têm como referências as experiências do meio (família, comunidade, escola, natureza, etc.) que a rodeia. Desta forma, a criança compreende o mundo reconstruindo à sua maneira, ao seu tempo e no seu espaço. A brincadeira se caracteriza por alguma estruturação e pela utilização de regras (explícitas e implícitas) com flexibilidade. (ALMEIDA, 2014, p. 44 apud CIPRIANO E ALMEIDA, 2016, p. 87).

Como argumenta também Maturana e Zoller citado por Cipriano e Almeida (2016) "Qualquer bebê mamífero que não encontre, não brincar, uma mãe que o confirme como bebê, terá dificuldades para crescer como um adulto normal, capaz de viver a vida solitária ou comunitária de sua classe". A criança precisa experimentar na brincadeira todas suas potencialidades para que possa se constituir como um adulto seguro, é nela que precisa sentir todas as emoções existentes, para que ao exercitar todas suas complexidades, consiga lidar com as mesmas no futuro, sem a necessidade de um outro de mesma idade ou mais experiente para fazer por ela. O papel da família torna-se preponderante nesse momento, pois, muitas vezes, por falta de orientação ou inabilidade para manejar certos comportamentos, tornam-se permissivas, procurando evitar o desencadeamento de comportamentos disruptivos, reforçando alguns comportamentos rígidos. Desse modo, passam a não oferecer, não apresentar e não possibilitar novas vivências, apresentando um contexto pobre em estímulos, não se permitindo se inserirem no ambiente lúdico da criança, seja por falta de investimento de tempo, por falta de orientação ou mesmo por outras questões que envolvam a dinâmica familiar, como medos e fantasias. (CIPRIANO E ALMEIDA, 2016, p. 87).

A família precisa agir de maneira positiva nos anos iniciais da criança, para que mais tarde, na vida adulta não seja necessário interferências, já que essa criança será capaz de lidar com suas questões com autonomia, se assim for estimulada. Para isso é necessário que seja criado um ambiente de permissão a experimentar, vivenciar em seu máximo as oportunidades, e que as mesmas sejam criadas. Guerra (2008) refere, baseado em estudos de Kandel, Schwartz e Kassel (2000), Kolb e Whishaw (2002), Lent (2004), Cosenza (2005), Bear, Connors e Paradiso (2006), que o desenvolvimento do sistema nervoso não finaliza com o nascimento, pois as interações do indivíduo com o meio ambiente aciona os sistemas bioquímicos nos neurônios que, posso fazer isso, podem ocasionar transformações na organização do sistema nervoso, resultado do fenômeno chamado neuroplasticidade. (CIPRIANO E ALMEIDA, 2016, p. 80).


Por isso a importância, da criança estar imersa no mundo, e participar de eventos culturais desde a Educação Infantil, para que seja criado sentimento de pertencimento e que a criança não seja privada de ter experiências que contribuam para seu desenvolvimento. A criança só conseguirá agir no mundo, se este lhe for apresentado e lhe for permitido protagonismo, mesmo em pequenos momentos, que para eles são grandes conquistas. A brincadeira se constitui como atividade fundamental no desenvolvimento infantil por possibilitar que, enquanto brinca, a criança, sozinha ou em interação com outras crianças/pessoas, resolva problemas, elabore hipóteses num pensar sobre si e sua atuação no meio, favorecendo a elevação dos modos de pensamento, o desenvolvimento do autocontrole, comportando-se além do que é habitual para sua idade, criando uma zona de desenvolvimento proximal.

Desta forma, o presente estudo toma como campo de análise a educação infantil, por esta e