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Gestão de risco no brincar

- Debora Souza da Silva -


O brincar é um elemento fundamental na vida, permite que haja desenvolvimento intelectual, social e familiar. A lembrança de quem é o individuo em si quando adulto é o brincar quando criança, pois no momento das brincadeiras há a apropriação das experiências e oportunidades que lhe foram dadas.

O artigo 31 da convenção dos direitos da criança trata da questão do lazer e o brincar que elas devem ter e que se deve ser assegurada a elas. O espaço apropriado para o acontecimento do brincar é extremamente necessário para as crianças, como, por exemplo, um local ao ar livre, o que é totalmente viável para esta atividade, porém ao ar livre, sobre a natureza tem probabilidades de que ocorram riscos, no entanto é preciso que haja um gerenciamento adequado.


As crianças a partir do momento em que entram em contato com a natureza precisam ter as oportunidades de sentir, cheirar e tocar o ambiente. E não apenas em locais que são ao ar livre, mas em todos os espaços elas precisam ter este contato, para que aconteçam experiências e explorações a elas.

Peter Gray, psicólogo e pesquisador fala sobre a o brincar livre, onde ele diz: “O brincar é o jeito da natureza de garantir que possamos aprender a desenvolver nossas capacidades para sobreviver”. Segundo Peter Gray, o brincar é uma atividade com características bastante sistemáticas. Assim, só é considerado como tal se estes quatro elementos forem identificados:



1. Auto-escolhido e auto-dirigido:

“O brincar é necessariamente uma atividade da criança, coordenada pela criança. Se há mediação ou direcionamento de um adulto, esta atividade, embora lúdica, não é brincar.”


2. Intrinsecamente mobilizado:

“Brinca-se porque se quer. É brincando que as crianças descobrem seus interesses e suas paixões.”



3. Guiado por regras:

“É brincando que as crianças aprendem a seguir regras. Mesmo quando brincando sozinhas, as crianças criam regras para determinar a brincadeira, inclusive, no faz de conta. É construindo os “não pode” e “pode” que as crianças negociam suas possibilidades e limites, testam suas fronteiras e aprendem a conviver no coletivo”.


4. Permeado pela imaginação:

Mesmo quando jogando bola, as crianças imaginam o campo, a torcida, a si próprias como jogadoras. A fantasia, o faz de conta está presente como elemento intrínseco ao brincar – é o produto cultural da infância. Janine Dodge, atual presidente da IPA, apresentou alguns benefícios do brincar ao ar livre, os quais são:


· Brincar ativo e de alta energia;

· Experiências multi-sensoriais;

· Oportunidades para explorar riscos;

· Interações sociais;

· Descoberta do mundo;

· Apreciação do meio ambiente;

· Tolerância á diversidade;

· Liberdade e alegria;

· Criatividade e imaginação;

· Sensação de pertencimento na sua própria comunidade. Muitos adultos quando se trata do brincar tem uma perspectiva totalmente diferente da criança.

Perspectiva do adulto:

· Visual (Começa a observar os elementos que estão naquele local que podem fazer com que haja acidentes);

· Objetivo (Olha para um escorregador, por exemplo, e já pensa que pode somente escorregar de uma maneira);

· Funcional, foca nos resultados.

Perspectiva da criança:

· Explorar o ambiente sem mapa ou objetivo pré-determinado.




As crianças apenas irão procurar formas de se divertir naquele local, os brinquedos que estão já posto ali com um objetivo elas usarão suas criatividades e criarão outros fins para eles. Alguns pesquisadores tem se aprofundado nesta questão da gestão de risco no brincar, um deles, por exemplo, é Tim Gill, antigo diretor da Children’s Play Council, ele publicou o seguinte texto: “Crianças de todas as idades e habilidades são naturalmente curiosas. Elas têm um desejo de experiências e uma necessidade de explorar e compreender. Elas querem descobrir como o mundo em torno delas funciona e o que podem fazer, ampliar suas capacidades e desenvolver sua percepção de si mesmas como pessoas capazes e competentes. Sempre que as crianças aprendem algo novo, elas se afastam do que é rotineiro e familiar e, portanto, potencialmente chato, em direção ao que é menos certo, mais desafiador e, com sorte, mais atraente. Este afastamento é especialmente acentuado e poderoso quando as crianças estão aprendendo a partir de suas próprias experiências e esforços, como acontece nas brincadeiras livres e atividades de aprendizagem iniciadas e conduzidas por crianças em ambientes ao ar livre. Confrontar novos desafios, muitas vezes, traz um certo grau de risco; pense em uma criança aprendendo a dar os primeiros passos ou a andar de bicicleta.


Estes riscos raramente podem ser completamente eliminados sem também comprometer a aprendizagem. Os adultos indiscutivelmente subestimam a habilidade das crianças em gerenciar riscos. Mesmo assim, quando é dado às crianças o nível de liberdade para brincar e aprender, elas frequentemente cometem erros. Isto pode levar a acidentes, especialmente em situações desafiadoras e ousadas. No entanto, pequenos acidentes e feridas, dos quais as crianças se recuperam plenamente, não são um problema. Na verdade, as crianças aprendem muito com eles. Geralmente, ambientes ao ar livre são, relativamente, locais seguros e a aprendizagem e as brincadeiras ao ar livre são mais seguras do que a participação em muitos outros esportes e opções de lazer.”

Esta pesquisa realizada por Tim Gill traz diversas reflexões profundas sobre realmente promover o brincar ao ar livre e expandir estes horizontes a elas.

Alguns conceitos ligados ao brincar e o risco são: segurança e perigo.

Segurança: Esta palavra pode ter diversos significados de acordo com o pensamento de cada individuo, é preciso então que evite seu uso de forma desqualificada.



Perigo: Fonte de potenciais de danos. É preciso identificar quais perigos precisam ser modificados e quais precisam ser removidos. Há alguns que podem ser aceitáveis e desejáveis desde que traga algum beneficio.

Quando há algum risco negativo é uma ameaça e quando há algum positivo é uma oportunidade. Em alguns momentos alguns danos físicos ocorrerão, entretanto faz parte do desenvolvimento da s crianças e elas querem correr riscos para poderem mostrar que são capazes de enfrenta-los.

No brincar ocorrem fatores que são prováveis, como conflitos e vínculos, isto faz com que amplie a comunicação com quem estaria brincando, principalmente a questão de colocar-se no lugar do outro, ou seja, a empatia. Muitas percepções neste momento começam a vir a tona, segundo alguns psicólogos, a escolha das crianças neste momento de qual brincadeira vai brincar, a música que irá cantar e coisas assim mostram sobre sua personalidade.


Segundo Papalia (2010, p. 292 e 293), “A princípio as crianças brincam sozinhas, depois ao lado de outras crianças, e finalmente juntas. Em contrapartida, os jogos solitários em algumas crianças, podem ser um sinal de timidez, ansiedade, medo ou rejeição social”.



Através destes vínculos e conflitos as crianças aprenderão a incluir todas outras em suas brincadeiras sem deixar nenhuma de lado. A inclusão é muito importante, principalmente no brincar. As crianças que possuem deficiências quando brincam se sentem como se estivesse superando sua dificuldade e praticando algo que é para todos, e assim se sentem iguais a qualquer outra e totalmente inclusas. É preciso promover constantemente a oportunidade das crianças tenha deficiência ou não estarem brincando juntas.


Referências:

<https://diadeaprenderbrincando.org.br/wp-content/uploads/sites/6/2016/10/160428_PROJECTDIRT_OCD_BOOK7_BALANCING_RISK_A4_Brazil.pdf/ Acesso em: 10 out. 2019>

<https://www.fmcsv.org.br/pt-BR/biblioteca/artigo-31-da-convencao-dos-direitos-da-crianca--o-brincar/ Acesso em: 10 out. 2019>

<https://educacaointegral.org.br/reportagens/nossa-sociedade-sofre-de-um-transtorno-de-deficit-de-brincar/ Acesso em: 12 out. 2019>

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