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O BRINCAR: A HISTÓRIA E O FUTURO

- JOICE ANAIZE TONON DO AMARAL-


O Brincar é transformador, ele está presente desde o momento do nascimento das crianças, pois além de todo cuidado oferecido pelos adultos próximos a ela, há interação, socialização, toque, olhares, carinho, sons e gesticulações emitidas para esse bebê.

As brincadeiras evoluem de pequenos balbucios e gesticulações até brincadeiras de casinha, adivinhação, cirandas e brincar livre na rua. Apesar de ser algo que sempre existiu, o brincar nem sempre foi considerada uma atividade que ajudaria no desenvolvimento de uma criança, mas sim por muito tempo foi considerada “perda de tempo” (1).

No contexto histórico mundial, a partir do século XVIII que houve uma preocupação com a criança em si, esse olhar de que ela precisava ser “cuidada”, escolarizada e preparada para uma atuação ulterior. Em primeiro momento, fica evidente a criação do ensino com intuito de formação de mão-de-obra, em seguida a escola se tornou um instrumento de fragmentação da sociedade, isolou crianças de adultos e pobres de ricos, impondo diferentes oportunidades e acesso para o desenvolvimento das crianças e um tratamento como adulto em miniatura (2).


Apenas no século XX que as crianças receberam um olhar voltado ao papel social que estavam inseridas, e as contradições sobre moralizar (controlar a criança) e paparicar (achar engraçada ou querer preservá-la como criança). Nesse momento da história, a sociologia, antropologia e psicologia (Ariès, Piaget, Vygotsky, Wallon, Charlot, Kramer, dentre outros) tiveram papel fundamental para ajudar a compreender as crianças, a infância e o papel social (2,3).

Segundo Kramer (2007) (4):

“Crianças são sujeitos sociais e históricos, marcadas, portanto, pelas contradições das sociedades em que estão inseridas. A criança não se resume a ser alguém que não é, mas que se tornará (adulto, no dia em que deixar de ser criança). Reconhecemos o que é específico da infância: seu poder de imaginação, a fantasia, a criação, a brincadeira entendida como experiência de cultura.



Crianças são cidadãs, pessoas detentoras de direitos, que produzem cultura e são nela produzidas. Esse modo de ver as crianças favorece entendê-las e também ver o mundo a partir do seu ponto de vista. A infância, mais que estágio, é categoria da história: existe uma história humana porque o homem tem infância”.

O desenvolvimento social da criança começa ao nascer, pois ela já está imersa em um contexto social. Segundo Vigostky(2007) (5), a brincadeira se torna importante para ela justamente na apropriação do mundo, na internalização dos conceitos desse ambiente externo a ela. Sendo assim, o brincar é social e a criança não brinca sozinha, ela tem um brinquedo, um ambiente, uma história, um irmão, primo, professor que media essa relação e que faz do brincar algo criativo e estimulante (6).



É imprescindível, para que as crianças possam exercer sua capacidade de criar, que haja diversidade e riqueza de experiências, seja no ambiente escolar ou em casa. Experiências essas voltadas às brincadeiras ou a aprendizagem por meio de intervenção direta (7). Conforme Valesco (1996), “na criança em que é privada essa atividade, por condições de saúde, financeiras ou sociais, ficam “marcas” profundas dessa falta de vivência lúdica”. Sendo assim, evidencia-se a importância de pessoas preparadas para oferecer uma mediação adequada do brincar, e de um tripé (família, escola e sociedade) capaz de oferecer o brincar (8).

Brincar é um direito reconhecido por lei; A legislação brasileira reconhece explicitamente o direito de brincar, tanto na Constituição Federal (1988), artigo 227, quanto no Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA (1990), artigos 4º e 16, e que esse seja exercido plenamente por todas as crianças. Há também o Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil, que entende a importância do brincar e a importância do brincar na vida escolar da criança, tendo em vista, o desenvolvimento da criança em todos os seus aspectos (cognitivo, afetivo, motor e social) (9).

Ao refletir sobre o direito de brincar, primeiramente, evidencia-se que não são todas crianças que efetivamente gozam do mesmo, e o que observamos no cotidiano de algumas famílias, é que o brincar criativo não é mais tanto estimulado (se já foi um dia, há diferentes contextos sociais e problemas envolvidos), houve uma mudança no modo de brincar e de interagir. Atualmente, o brincar está atrelado a tecnologia, um jogo no celular ou brinquedo tecnológico e muitas vezes esse “brincar” não é estimulante, não promove a interação, imaginação e criatividade. Apesar da evolução da compreensão da criança e do brincar, nota-se que há muito a ser explorado e entendido nesse contexto.


Estimular o brincar em todos ambientes, se apropriar dos espaços públicos para tal, proporcionar para TODAS as crianças independente do contexto social, estudar esse tópico cada vez mais e compreendê-lo é de suma importância, pois “O brincar nos faz iguais e naturais” (Herrero e Flores,2018), ele desenvolve habilidades físicas e emocionais, criatividade, imaginação, autoconfiança e cognitivas, e melhora a capacidade de entendimento do mundo, adaptação e resiliência; E o futuro sempre será as CRIANÇAS. Sendo assim, o BRINCAR é potencializador e enriquecedor de experiências que são fundamentais para o desenvolvimento sociopsicomotor de todo ser humano, principalmente, na infância e promove felicidade.