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Pais facilitadores do brincar

- WANDERSON SANTOS DE JESUS -


É no brincar, e somente no brincar que o indivíduo, criança ou adulto pode ser criativo e utilizar sua personalidade integral e é somente sendo criativo que o indivíduo descobre o eu. (Donald Woods Winnicott). Quantas vezes a parede branquinha da sala por trás do sofá se tornou um céu azul, e com as canetinhas foi possível desenhar estrelas, nuvens, sol, pássaros e foguetes, sendo assim, colocando mais vida na imaginação criativa despertando um mundo de possibilidades.

O brincar tem como finalidade “um fim em si mesmo”, proporciona a experiência sem cobrança de resultado pela produtividade, enquanto brincam as crianças adquirem conceitos de valores, limites e responsabilidades, desenvolvendo habilidades cognitivas e socioemocionais. Provoca mudanças qualitativas nas crianças do ponto de vista do comportamento, do sentimento, da aprendizagem, da comunicação, da linguagem, imaginação, criatividade, entre outros aspectos. As Brincadeiras em sua ampla variedade são responsáveis pelo desenvolvimento das habilidades corporais: locomotoras, manipulativas e estabilizadoras; desenvolvimentos das habilidades intelectuais: explorar problemas, desenvolver soluções, negociar, fazer estimativas, contabilizar, planejar, comparar e julgar.

As crianças que aprendem a brincar, controlando livremente as brincadeiras, sentem um prazer natural mantendo-se motivadas por essas atividades, criando possibilidades e interesses diversificados. É necessário que a criança tenho o contato livre com o meio ambiente, com a disposição dos materiais fornecido pelo próprio ambiente oportunizando a exploração e a criatividade para utilização desses objetos e materiais facilitados pelos adultos.


Qual o papel dos pais enquanto facilitadores do brincar?


Levando em consideração este contexto em que os adultos são facilitadores para o brincar das crianças, serão os principais motivadores para tal ação. Os pais precisam assumir um papel importante na transmissão dos conhecimentos adquiridos na sua infância, trazendo de suas memórias os momentos prazerosos relacionados ao brincar, momentos com a família reunidas em festas, passeios, brincadeiras em contato com a natureza e em parques, possibilitando a formação de vínculos afetivos com seus filhos através da transmissão de experiências e aprendizados.


Desta maneira, ocorrendo a valorização da educação assistemática na transmissão de conhecimentos de pai para filho que ocorre na vida diária, uma educação caracterizada pela assimilação de cada grupo social, pela observação do comportamento de mais velhos, pela convivência com outros membros da sociedade.



Uma valiosa oportunidade para resgatar memórias, vivenciar novas experiências, aguçar a imaginação e criatividades através de infâncias já vividas e os pais promoverem programas de entretenimento com seus filhos em espaços culturais como os museus.


Hoje em dia com os museus interativos quebrou-se muito a barreira que impediam de ser atrativo estes lugares para promover o brincar da criança com interação com seus familiares, tendo em vista que, para manter organização e segurança nos espaços com obras de arte, esculturas e objetos se faz necessário o distanciamento, uma certa distância para não tocar no que está sendo exposto e manter silêncio no ambiente. Um exemplo de museu interativo é o Museu Catavento em São Paulo, onde é possível o brincar livre, tendo interação com diversos tipos de objetos e tecnologias, proporcionando experiências diversas, um ambiente lúdico com diversas oficinas brincantes, o visitante participando ativamente com o museu.

Aprendizagem em museus possui muitas vantagens em potencial: nutre a curiosidade, estimula a motivação e atitudes, engaja o público quanto á participação e á socialização e ao enriquecimento. (Ramey - Gassert e outros,1994).

No cenário atual deparamos com situações adversas representadas pela falta de espaços e condições para a promoção da liberdade, livre expressão em contato com a natureza, espaços amplos em convívio com outros indivíduos quando nos deparamos confinados em caixas, uma rotina impregnada em nossas atitudes, devido a processos de industrialização e urbanização.


Também podemos relacionar a fatores de violência fora de nossos lares, faltas de espaços lúdicos, confinamentos das crianças em seus lares devido a educação super protetora que não deixam os filhos enfrentarem as dificuldades naturais da vida não ensinados e a nova estrutura familiar. Se por um lado temos espaços que precisam ser atrativos para que pessoas queiram frequentar, também temos a situação de não ter espaços suficientes ou adaptados para proporcionar o brincar, de tal forma, que as crianças consigam se desenvolver plenamente, observando-se que estes recebem uma enorme carga de estímulos, agenda cheia, rotina de deveres de casa e tarefas escolares, estando “cobertos” em seus lares e nas escolas, que muitas vezes não são escolhidos ou aceitados por eles, causando assim um cansaço físico e mental. Passeios planejados para shoppings centers e casa de familiares onde o seu percurso é feito de carro enfrentando um trânsito ardo, não agregando conhecimentos durante o percurso.

Brincar com crianças não é perder tempo, é ganhá-lo, se é triste ver meninos sem escola, mais triste ainda é vê-los sentados, enfileirados em salas sem ar, com exercícios estéreis, sem formação do homem (Carlos Drummond de Andrade).


As Escola devem oportunizar experiências sociais entre os alunos o contato com o brinquedo, práticas educativas para a educação de valores, respeitos a regras, o brincar livre e espontâneo normalmente percebido nos intervalos, incorporar em sala de aula também está expectativa de aprender brincando, indo em contradição ao ensino somente de instrução para o trabalho imposto pelo pais e sim estar focada no desenvolvimento plena da criança: aspectos socioemocionais, cognitivos e motor, vivenciando um infância rica que servirá futuramente para uma base de sustentação para exigências do cotidiano na vida adulta.

Devido esta preocupação de poder superar desafios e dificuldades na vida adulta, a escola terá um papel importante em proporcionar tais experiências ainda na infância, será capaz de efetivar situações para o desenvolvimento da resiliência, uma competência importante para o convívio com outras pessoas em situações desafiadoras, inesperadas, acarretando responsabilidades, incertezas tendo que resolver problemas e a cada grande dificuldade poder se recuperar rapidamente e se reestruturar para novas ações. Sendo as crianças protagonistas em todo o processo de desenvolvimento sentindo-se conectadas com as outras crianças e adultos dando significado para suas atitudes.


Estudos relacionam o impacto positivo que o desenvolvimento da capacidade socioemocional resiliência tem para o combate da violência entre pares na escola, sendo necessário que está capacidade venha sendo desenvolvida desde a infância. Um conceito originário da física, a resiliência é a capacidade de um material voltar as suas condições normais depois de ter sido submetido a uma certa dose de pressão. De acordo com Grotberg (1995) considera resiliência como a capacidade do indivíduo para enfrentar e responder de forma positiva às diversidades que surgem na sua vida e oferecem risco para sua saúde e desenvolvimento. Sua construção se dá através de três fatores ou forças pessoais: eu sou, eu tenho e eu posso. (Grotberys 1998, Hiew1998, Martins 2005).


Para que um aluno tenha uma personalidade de resiliência ajustada é necessário que ele tenha um bom funcionamento em seus aspectos: intelectuais, emocionais e interpessoais. (Van Liesshout, 2000). Um bom relacionamento interpessoal evita a violência, sendo flexível e conseguindo construir alternativas para situações violentas. A resiliência se associa a flexibilidade interna que permite interagir com sucesso face aos conflitos com o meio exterior, funcionado como um mecanismo protetor, permitindo transformar o risco em algo mais adaptativo. (Rafha Simões, 2001).

A família da criança assume um grande importância na construção de personalidade resiliente através das relações afetuosas entre seus membros (Browlby,1984,1998), o contexto onde o jovem se insere também inclui a escola e a comunidade e estes contextos podem ser também promotores de resiliência.( Lima Serrano, Jesus &Lima Rodrigues,2002;Theron & Malindi,2010).

Portanto, proporcionar o brincar fortalece a criança, preparando-as para adaptar-se ao mundo em plena transformação, de forma que venham se desenvolver plenamente, relacionando vários aspectos como a imaginação e o simbolismo, representações que venham ter do mundo, dando diferentes significados as coisas que tenham contato e imitando ações e papéis das pessoas no cotidiano, podendo assim a crianças interagir com o mundo em sua volta.

Os espaços preparados e ambientes livres são muito importantes para o proporcionar do brincar, e torna-se uma responsabilidade dos pais e escolas dar tal importância ao tema, sabendo-se que uns dos benefícios é o desenvolvimento socioemocional resiliência nas crianças, para proporcionar o controle da violência nas escolas e lares promovendo uma cultura de paz , no qual ao se desenvolverem plenamente as crianças serão adultos melhores.

Bibliografia

A criança e o brincar – O desenvolvimento infantil segundo Donald W. Winnicott. 25 páginas. Novembro 2016.

Fundamentos para o Desenvolvimento humano na primeira infância. O brincar construindo e estimulando desenvolvimento. Johnson’s. Limay editora.

https://www.slideshare.net/MayluSouza/o-brincar-e-o-desenvolvimento-infantil-para-winnicott. Acesso em:16. maio. 2020.

www.sielo.mec.pt – Prevenção da violência através da resiliência dos alunos.

Acesso em: 05. julho. 2020.

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